A FITA BRANCA – A ORIGEM DO MAL EM MICHAEL HANEKE

janeiro 3, 2015 — Deixe um comentário

a fita branca

O cinema europeu é realmente instigante. O filme A fita branca, (“Das Weisse Band”) do diretor Michael Haneke, uma co-produção entre Alemanha, Itália, França e Áustria, mostra como o gênio humano reage com violência ao autoritarismo, seja ele nas relações religiosas, educacionais ou mesmo familiares.

O filme se passa na Alemanha pré-primeira guerra mundial, numa vila agrícola onde estranhos e violentos acontecimentos começam a ocorrer com seus moradores. O clima de mistério é crescente em todo o enredo, até o desfecho com o suposto esclarecimento dos crimes.

Michael Haneke é conhecido por explorar o ódio em seus filmes, mostrando a pior face do ser humano. Em A fita branca, ele buscou não só uma possível origem do nazismo, mas também a base para toda a forma de mal na humanidade, partindo de uma simples comunidade rural formada por diversos trabalhadores. As relações sociais lá se desenvolvem em torno do grande proprietário de terras, do professor da escola local, do médico e da autoridade religiosa. Finalmente, crianças compõem de modo perturbador o centro da trama.

Praticamente todas as relações mantidas entre os personagens são marcadas pelo autoritarismo. Tem-se a figura de um pai disciplinador ao extremo, um padre fundamentalista e um médico, no mínimo, sádico. Haneke busca demonstrar como formas de poder dessa maneira existentes na sociedade são perniciosas para a vida humana, pois disseminam a maldade no cotidiano das pessoas, as quais, desde a infância, internalizam tais práticas e a compreendem como algo natural e normal. Daí para a aceitação e aprovação de regimes políticos autocráticos é um pulo.

A data em que se passa a trama, antes da primeira guerra mundial, mostra como seu intuito não foi somente estabelecer as possíveis origens do nazismo, mas sim de toda forma de base social para ditaduras e fundamentalismos. O filme é todo em preto e branco, tornando-o ainda mais clássico.

A violência física e os excessos na repressão moral geram ódio, profundo descontentamento e raiva. Não podem ser vistos como algo justificável, sob pena de, realmente, disseminar uma cultura completamente contrária aos direitos humanos e, especialmente, ao respeito a um regime político baseado na liberdade.

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